Em alguma vida fui ave.

Posted by Arco-Íris (Leiria, Portugal) on 10 November 2015 in Transportation and Portfolio.

Em alguma vida fui ave.
Guardo memória
de paisagens espraiadas
e de escarpas em voo rasante.
E sinto em meus pés
o consolo de um pouso soberano
na mais alta copa da floresta.
Liga-me à terra
uma nuvem e seu desleixo de brancura.
Vivo a golpes
com coração de asa
e tombo como um relâmpago
faminto de terra.
Guardo a pluma
que resta dentro do peito
como um homem guarda o seu nome
no travesseiro do tempo.
Em alguma ave fui vida.
Mia Couto, Idades Cidades Divindades

Canon EOS 60D
1/500 second
F/8.0
ISO 100
200 mm

nazare
outono
nevoeiro
mar
barcos

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